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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

“FIFA NUNCA TOMOU MEDIDAS DRÁSTICAS CONTRA O RACISMO”


O historiador Joel Rufino conta suas impressões sobre os recentes crimes raciais no futebol
André Vieira, do Rio de Janeiro (RJ)
No ano em que o Brasil recebe a Copa do Mundo da Fifa, novos casos de racismo no futebol continuam surgindo. Episódios que muitas vezes não recebem a atenção necessária por parte de governos e entidades esportivas. O Brasil de Fato entrevistou o professor e escritor Joel Rufino, um dos maiores especialistas no debate sobre os direitos da população negra. Confira suas análises sobre o racismo no mundo da bola.
Brasil de Fato - Como o senhor avalia o racismo no futebol?
Joel Rufino - O futebol se tornou um dos negócios mais rentáveis do mundo. Os clubes europeus disputam aqueles campeonatos a ferro e fogo, como se fossem batalhas, e nesses momentos de grande competição o racismo aparece, é colocado pra fora. Em épocas de paz, sem competitividade, o racismo existe, mas está escondido , a pessoa tem vergonha de ser racista. Quando a competição se acirra como nesse futebol de hoje, a pessoa perde a vergonha de ser racista, de maltratar o outro.
Brasil de Fato - A CBF lançou em 2014 a campanha “Somos Iguais”. O senhor acredita nas ações da Fifa e de suas confederações no combate ao racismo?
Joel Rufino - Eu acho muito difícil a Fifa ser sincera em alguma coisa. Não acredito. Pode ser que ela seja também, temos que dar o benefício da dúvida. Mas uma instituição com a riqueza da Fifa, com o poder de entrar nos países e fazer o que quiser, de distribuir dinheiro, como é que pode uma instituição dessa combater o racismo? Não sei como. Por exemplo, faz tempo que podiam tomar medidas drásticas contra a demonstração de racismo. Nunca tomaram. Aqui mesmo na América do Sul, houve o caso do Perú, que xingaram um jogador brasileiro num jogo em Lima. Esse time continua na liga, não puseram pra fora. Os juízes levam o jogo até o fim por instrução das federações, embora a regra seja clara. Em caso de demonstração de racismo os juízes podem parar o jogo, mas eles não param. Levam o jogo até o fim, mandam a polícia atrás do cara, às vezes nem isso. Na prática eles não fazem nada. (Joel se refere ao jogo entre Cruzeiro e Real Garcilaso em fevereiro de 2014. Na partida, quando o jogador do time mineiro Tinga pegava na bola, a torcida adversária imitava sons de macaco).
Brasil de Fato - E durante o mundial de futebol?
Joel Rufino - Nessa Copa que vai ter aqui no Brasil, se houver demonstração de racismo por parte dos torcedores ou dos jogadores em campo, você acredita que a CBF e o governo brasileiro, vão tomar alguma medida? Você acredita? Não, eles não vão porque eles vão querer continuar a Copa. O importante para eles é a Copa.
Brasil de Fato - Em uma partida contra o Villareal em abril deste ano, o lateral do Barcelona Daniel Alves comeu uma banana arremessada no gramado. Para o senhor, o que representa esta atitude?
Joel Rufino - Pode ser um plano de marketing, mas até que provem o contrário foi um gesto espontâneo e antirracista. A banana que é símbolo do macaco, portanto é um símbolo racista, foi comida por ele e aquilo vai se transformar em merda. Tudo o que você come se transforma em merda. Eu achei muito bonito, eu gostei disso. Acho que foi um anti-gesto, um anti-símbolo. Comeu a ofensa e transformou ela em merda.
Brasil de Fato - Como devemos enfrentar o racismo?
Joel Rufino - Eu acho que tem que reagir, essa é a primeira coisa. Qualquer ato de racismo contra uma pessoa tem que ter uma reação, ou da própria pessoa ou de quem tiver ao lado. Isso de alguma maneira é pedagógico. Não é pela punição em si, mas ensina que o racismo é um crime. A segunda é apoiar as ações afirmativas do governo, seja qual for. Vê se muda esse quadro de ausência de profissionais negros. O problema é estrutural. Se é preconceito, eu posso citar aqui número de medidas que se pode tomar. Se é o racismo, que é estrutural, é muito mais sério, demanda muito mais esforço de todos, das organizações, dos sindicatos. É preciso organização para fazer reformas de base. Pressão, luta, ir para as ruas.
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http://www.brasildefato.com.br/node/28780
05/06/2014


O IMPACTO DO TRÁFICO NAS SOCIEDADES AFRICANAS


A expansão do sistema escravista  na África alterou profundamente as relações entre diferentes áreas e regiões do continente, bem como interferiu substancialmente em todos os campos da vida dos povos que as habitavam. Um dos primeiros impactos do crescimento da escravidão foi a mudança dos significados e da importância do “ser escravo” nas sociedades africanas.
Em fins do século XVI, o comércio de escravos capitaneado pelos europeus colocou à disposição das sociedades africanas diversos produtos novos, o que influenciou a economia e as formas de organização social, e políticas locais. Além de colocar a escravidão no centro das relações entre os grupos, houve a transferência de uma lógica de disputa de mercados e a restituição de uma desigualdade social em maior escala.


Um dos principais impactos da escravidão na África foi a fragmentação e a deterioração de reinos e comunidades por razias e guerras civis, incitadas pelos europeus, com o intuito de terem a disposição uma oferta considerável de escravos. Outra consequência foi o surgimento de reinos africanos intimamente ligados ao tráfico de escravos, especializados em capturar homens a fim de vendê-los aos europeus. Foi o caso dos imbangalas e das disputas em torno da liderança do Reino de Matamba.


Houve também um aumento da diferenciação social entre os grupos africanos. As mercadorias, trazidas pelos europeus como objeto de troca na compra de escravos, transformaram-se em símbolos de status, e as armas passaram a ser fundamentais nas disputas militares entre os reinos, cuja força centrava-se em sua capacidade de controlar rotas comerciais de escravos e de proteger sua população escravização por outros reinos.


ALVES, Alexandre &OLIVEIRA, Letícia Fagundes de. Conexões com a História. São Paulo: Moderna, 2013. P.26

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

INTI RAYMI OU A FESTA DO SOL



Inti Raymi ou A Festa do Sol é uma festividade originária da época incaica, na qual se prestam homenagens ao Sol, divindade máxima inca. Proscrita durante o período colonial, esta celebração foi restaurada em 1944, com variações em relação ao ritual original. Na atualidade, o evento se converteu em um ato multicultural.  tradição assinala que foi Pachakutec o primeiro Inca, que criou a Festa do Sol. O dia Central de celebração coincidia com solstício de inverno e foi o primeiro calendário solar Inca.


 O Inti Raymi foi proibido pelos espanhóis durante os primeiros anos da Conquista, e depois abolida oficialmente em 1572 pelo vice-rei Francisco de Toledo. Em 1944, a festa renasceu [...] para celebrar o nascimento da cidade. Escolheu-se o 24 de junho – então Dia do Índio; hoje, Dia do Camponês, porque coincidia aproximadamente com a data em que  se realizava a cerimônia  nos tempos dos incas.Os testemunhos recolhidos e transmitidos por Garcilaso de la Vega nos dão  uma ideia da magnitude que tinha a festa do  Inti Raymi [...].


 A celebração durava  nove dias e era realizada na  praça principal de Cusco, conhecida  na época como Haukaypata, que se estendia onde hoje e a  atual Plaza de Armas da cidade ocupando entretanto uma área maior. [...] na celebração, participavam o inca, a nobreza real e o exército. No dia principal, o inca subia no palco cerimonial (usnu) acompanhado por seu séquito e brindava com chicha de jora [bebida alcoólica fermentada feita de milho] em louvor a o  Sol. Dentro do Templo do Sol, um sumo sacerdote ateava fogo a um chumaço de algodão. Todos os rituais eram acompanhados por danças pelo som de pututos, conchas marinhas que se usavam ​​como instrumentos musicais de vento. [,,,] Ao entardecer, os participantes adoravam o Sol inclinando e levantando os braços. Era o final da  festa. O Inca retornava a o  seu palácio, enquanto as mulheres atiravam, a sua passagem flores  vermelhas e plumas coloridas.


O espetáculo teatral


Inti Raymi atual é um espetáculo teatral com  mais de quinhentos atores, além de  bailarinos e músicos. Como tal, segue  um roteiro estabelecido, baseado nas narrativas de Garcilaso de la Vega. Ao longo dos anos, este roteiro foi modificado várias vezes. O  atual data de 1984.[...]. A celebração moderna do Inti Raymi se realiza  em vários cenários: a primeira e segunda  partes são realizadas no Koricancha (Templo do Sol) e na Plaza de Armas de Cusco. Em seguida, a encenação se muda para a esplanada da fortaleza Sacsayhuaman, a cinco quilômetros da cidade. Ali, se instalam grandes arquibancadas para os espectadores, que são milhares.



 A festa se inicia no dia 24 de junho, às oito horas da manhã. [...]. A parte mais importante da cerimônia [...] Começa a aproximadamente a uma meia da tarde com o soar dos pututos e das quepas [...] O Inca, faz um brinde ao Sol; [...] O rito do fogo sagradocomeça quando o willaq um acende o fogo, enquanto o willka nina kamayoq, encarregado de manter o fogo sagrado, acende a fogueira central da esplanada e os chaquis fazem o mesmo com as dos suyos. Chega o momento do sacrifício da llama. O tarpuntay, sacerdote encarregado do oráculo, pede que subam uma llama tenra e negra ao usnu. [...] [Após, o sacrifício] O Inca também se mostra satisfeito e a festa termina com uma ruidosa manifestação de todos os presentes.


Disponível em: http://www.elintiraymi.com/informacion-general-del-inti-raymi. Acesso em 28/08/2014 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

VIAGEM PELA CULTURA ANDINA


A maior parte do território americano era habitado por povos nômades e seminômades, esses grupos se dedicavam a caça, a pesca e à coleta de alimentos. Também praticavam a agricultura, mas apenas como complemento as outras atividades.


No entanto, na Região Andina (atuais Equador, Peru, Bolívia e norte do Chile) a sociedade indígena “INCA" desenvolveu um complexo sistema de engenharia, além de um tipo de agricultura intensiva altamente especializada. Nessas regiões densamente povoadas havia alguns elementos que os estudiosos consideram característicos de uma civilização: constituição de um Estado com aparelho burocrático, responsável pela coordenação das obras agrícolas e apropriador do excedente produzido; ordem sacerdotal poderosa e influente, além de uma nítida estratificação.

Lulinha concentrado para apresentar o Inti Raymi ou Festa do Sol
Contudo, Luiz Cláudio Germano da Costa (Lulinha) aluno do Ensino Fundamental, anos iniciais da Escola VIVA em parceria com seus colegas de sala e professores desenvolveu um magnífico trabalho sobre a cultura da Bolívia que, fora uma das regiões que o império incaico se expandiu.

                                                     Lulinha mostrando o painel sobre a cultura boliviana aos seus pais
 Além de uma pesquisa teórica feita por esse estudante com a ajuda de sua mãe (Mônica Cristina) teve exposições de fotografias, comidas típicas, produtos agrícolas cultivados por esses nativos e danças tradicionais que ainda hoje são preservadas pelos descendentes incaicos.

Os professores: Luiz Cláudio e Oscar encantados com os trabalhos sobre a cultura boliviana desenvolvidos pelos  alunos da  Escola Viva


Enfim, esse trabalho teve como objetivo comemorar o dia do folclore¹ que é dia 22 de agosto.


























 1.O conjunto ou estudo  das tradições, conhecimentos ou crenças de um povo , expressos em suas lendas, canções e costumes.


sábado, 3 de maio de 2014

RECONHECER A REPÚBLICA SAARAUÍ É ACABAR COM A ÚLTIMA COLÔNIA NA ÁFRICA



Karin Lagdaf, representante da Frente Polisário no Brasil, destaca papel da solidariedade e denuncia emirado do Marrocos por anexação e repressão.


Leonardo Wexell Severo


O emirado do Marrocos mantém ocupado, de forma ilegal e criminosa, desde 1975, a República Árabe Saarauí Democrática (RASD). Nesta entrevista, o dirigente Karin Lagdaf, representante da Frente Polisário, que lidera a luta de libertação nacional desde o primeiro governo no exílio, destaca a importância da mobilização pelo reconhecimento da RASD a partir do crescente isolamento do emirado. O muro que segrega a República, a fim de superexplorar as suas riquezas naturais - como o peixe e o fosfato -, é mantido com 117 mil soldados e seis milhões de minas terrestres.

Veja  o que diz o dirigente Karin Lagdaf, representante da Frente Polisário, que lidera a luta de libertação nacional da  República Árabe Saarauí.
 
Karin Lagdaf,

Brasil de fato: Temos acompanhado a intensa mobilização da Frente Polisário pelo reconhecimento da República Árabe Saaraui Democrática. Qual é a situação atual desta luta pela independência do Marrocos?

Karin Lagdaf: A situação está evoluindo bem, não tão rápido quanto queríamos, mas há avanços claros na luta contra o Marrocos, inclusive no seu próprio campo. Mesmo os governos dos Estados Unidos e da França começaram a ter mais reservas e a serem menos agressivos conosco, suspendendo programas e acordos, o que tem debilitado a ocupação marroquina e a sustentação desta violação no campo internacional.


Brasil de fato: Como o emirado do Marrocos tem reagido?


Karin Lagdaf: A desgraça continua. A repressão dentro dos territórios ocupados não diminuiu em nenhum momento. No dia 17 de abril veio um novo informe da Organização das Nações Unidas e, agora, finalmente, acredito que teremos uma missão da ONU específica para a questão dos direitos humanos em nosso país. Causa estranheza que não haja vigilância alguma para uma questão tão grave como são as reincidentes violações praticadas pelas tropas marroquinas. Acho que esta nova correlação, mais favorável, se deve ao fato de que o Marrocos não é mais membro do Conselho de Segurança da ONU.


Brasil de fato: Como este crescente e amplo leque de apoios para a causa independentista tem repercutido?


Karin Lagdaf: No plano africano temos ampliado e fortalecido apoios em todos os níveis, desde a direção da União de Sindicatos da África até a vice-presidência do parlamento africano. O governo do Marrocos com sua decisão de não reconhecer que a França domina o Senegal e o Camarões está se isolando cada vez mais. Todas as universidades da Espanha realizaram atos de solidariedade à luta saarauí. Da mesma forma como ocorreram inúmeros protestos na Europa contra a presença de bases estadunidenses no Iraque, cresce o apoio contra a presença do Marrocos em nosso território.


Brasil de fato: De que forma o agravamento da crise interna no Marrocos tem impactado a sua capacidade de agressão ao povo saarauí?


Karin Lagdaf: O governo do Marrocos está com uma dívida externa de US$ 40 bilhões, o equivalente a mais de 127% do seu PIB e não tem como pagar. No ano passado isso se refletiu em menos recursos do emirado para o ensino e para a saúde, o que gerou e continua gerando maior descontentamento interno.


Brasil de fato: Estamos frente a um globo que traz nitidamente a República Saarauí com um território demarcado, é um país reconhecido por grande parte da comunidade internacional.  No entanto há problemas diplomáticos justamente na nossa região...


Karin Lagdaf: No Paraguai, sob a presidência de Fernando Lugo, íamos inclusive abrir uma embaixada, mas as relações retrocederam. Na América Latina, fora o Brasil, a Argentina e o Chile, todos os países, sem exceção, reconhecem a República Saarauí como um país de fato e de direito. No Brasil, deputados e senadores já aprovaram o reconhecimento por unanimidade, na Câmara e no Senado. Infelizmente, até agora o governo ainda não formalizou esta decisão tão importante.  Temos conversado com importantes amigos, no nível mais alto do Itamaraty, e estamos otimistas, mas ainda não há nada de concreto. Como é o nosso povo que está sofrendo com a ocupação, temos pressa.


Brasil de fato: Fale um pouco mais sobre a ocupação.


Karin Lagdaf: Temos um muro que nos divide, onde estão alocados 117 mil soldados marroquinos e seis milhões de minas terrestres. Há uma separação entre a parte ocupada com a parte liberada, equivalente a 32% do território. O Marrocos explora nossas riquezas naturais enquanto mantém centenas de milhares de saarauís à margem. Quem luta é condenado com penas de 25 a 30 anos pelo governo marroquino, quando não é submetido à prisão perpétua.  Como estamos falando com brasileiros, é bom lembrar que utilizam companhias do Rio de Janeiro para trazer peixes e industrializar no Brasil, vendendo fosfato e importando remédio, pólvora e pesticida. É como se fôssemos a última colônia na África.




22/04/2014