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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O ARTISTA ENTRE O POVO


Convicto e obstinado, Zé Pinto enumera os obstáculos em exercer a atividade de cantor popular.

 Railton Teixeira, de Maceió (AL)
 

O cantor e compositor Zé Pinto, autor de várias cantorias da luta do campo
Foto: Railton Oliveira
A esquerda brasileira e seus referenciais teóricos em crise, face às profundas mudanças de alguns paradigmas perdeu-se dentro do seu “labirinto teórico” e, ao explorar a cultura popular, não lhe deu o valor merecido. Pelo menos é o que garante o cantador popular Zé Pinto, autor de várias cantorias da luta do campo, como ele mesmo prefere denominar.


Em sua passagem por Alagoas, ele ressaltou ao Brasil ao Fato a falta de valorização da cultura popular por parte da esquerda e dos dirigentes dos movimentos sociais que, segundo Zé Pinto, só fortaleceu o “projetão de bestificação das pessoas”, ratificando ainda que “o importante é vender; esse é o grande problema do projeto que está ligado à grande mídia”.


Brasil de Fato – Quase três décadas de muita cantoria, animando e fazendo sua mensagem ser cantada por inúmeros militantes, diga-se de passagem, uma delas gravada por Beth Carvalho. Mas muito pouco se sabe sobre você. Afinal, quem é Zé Pinto? 
 
Zé Pinto – Uai! [risos]. Sou um cantador popular, apaixonado pela agroecologia, apaixonado pela luta da terra, radicalmente contra as pessoas que se atrevem a cantar besteira para alienar as pessoas e todo esse lixo cultural.
 
Brasil de Fato – Como foi que tudo começou?
 
Zé Pinto – Sou mineiro, mas minha família foi para o norte na migração, lá nos anos 1970, quando chegamos a Rondônia, atrás de um pedaço de terra. A cidadezinha do interior não existia, tinha ali umas casas do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária], uns dois botecos e foi lá que conheci o MST, em Ouro Preto do Oeste. Lá conheci o Partido dos Trabalhadores, numa sala meio escondida na igreja. Eles vieram fundando os sindicatos e fui convidado a participar de um curso do MST. Nisso eu me amarrei. Já fazia as minhas cantigas ali quando perdia as namoradas e a música foi só se engajando, isso lá por volta de 1986.
 
Brasil de Fato – Ao longo de sua trajetória, como é se deparar com esse ‘lixo cultural’ que vem ganhando espaço por entre as “massas” e principalmente nos veículos de comunicação?

Zé Pinto – O trem está tão difícil que até parece que esquecemos que sempre existiu um embate entre a música que fala aquilo que está ligado às raízes do povo brasileiro e sua caminhada com essa outra. É questão de dois projetos mesmo, sempre teve isso, mas agora a coisa tá tão descarada que está fazendo nojo.
 
Brasil de Fato – Dois projetos?
 
Zé Pinto – Se é pra ter lucro não existe a preocupação com o avanço humano das pessoas, muito menos com o avanço cultural. Quanto mais o povão ficar alienado, mais se consegue passar o seu produto, que é uma mercadoria. Não havendo interesse de saber qual é o conteúdo desta mercadoria. O importante é vender. Então esse é o grande problema do projeto que está ligado à grande mídia comprometida com o lucro.
 
Brasil de Fato – Onde podemos localizar a cultura e a arte popular neste emaranhado?
 
Zé Pinto – Como a história está um pouco fria é preciso engolir este caroço. A coisa não está fácil, a música também começa a ficar meio apagada. Existem muitos cantadores que só pelo fato de fazerem uma música inteligente, uma música que retrata a realidade do seu povo já é um militante de sua cultura, já está cumprindo um papel interessante. Mas essa luta está um pouco abafada, até porque a luta do povo esta um pouco esquecida, o projetão deles lá [indústria cultural], está conseguindo caminhar a passos largos, então é meio complicado.

Brasil de Fato – É possível reverter essa situação? O que está faltando? 

Zé Pinto – Pense num desafio. Porque se a gente não tiver cuidado vai na onda. A arte tem que cumprir esse papel, não pode ir na onda de que agora nada mais acontece. Tem que achar um jeitinho de ir falando essa verdade, porque a história não morreu, não chegamos ao final da história.

Brasil de Fato – Há espaços para os artistas populares divulgarem os seus trabalhos e assim socializarem as suas verdades?

Zé Pinto – Não existe. Se é popular é no meio popular, não tem outro espaço. Ainda temos um problema sério no Brasil dentro da própria esquerda que não conseguiu realmente reconhecer o papel de um artista popular. A arte no Brasil sempre foi muito utilizada, isso foi um erro histórico da esquerda brasileira. Quando o dirigente perde o fio da meada, chama o cantador para agitar [risos].

Outra coisa: quando se cria uma rádio comunitária, que deveria ser ligada ao povo usam uma música que é contraditória ao projeto, com artistas que só cantam pra comprar fazenda, pra comprar carros. São os próprios dirigentes que alimentam essa ilusão de que eu preciso colocar um CD de Zezé de Camargo e Luciano, porque são famosos e são o que a juventude quer.

Brasil de Fato – E esse embate com a esquerda?

Zé Pinto – A esquerda sempre utiliza a gente. Em período eleitoral é mais visível isso. Vamos para a campanha, acreditando, e quando o dito cujo se elege, mesmo sendo de esquerda, ele acha que tem que contratar o cantor famoso e pensa ‘agora virei prefeito vou trazer esse cara para cá’. O dinheiro que ele poderia fazer uma noite de cantoria com 20 cantadores ele dá tudo pra uma duplinha dessas daí que abre a boca e só fala besteira. Diz que é de esquerda e não tem essa compreensão.

Brasil de Fato – Qual a sua análise sobre a esquerda atual?
Zé Pinto – Esquerda hoje é um negócio que a gente não está conseguindo achar [risos]. Agora existem pessoas que ainda sonham e o trem pode ficar na grossura de uma linha que não se arrebenta. A vantagem da história é essa, você necessita comprar uma calça para vestir? Vai lá no cabo da enxada, trabalha e compra, mas não vende a alma para o diabo. A pessoa que se vende é uma mercadoria, há muitas pessoas que se vendem e são bem pagas.

Brasil de Fato – E o projeto de eleger um presidente da república?

Zé Pinto – A questão deste pessoal que está na disputa direta, dentro da política partidária, é que não sei se fingem não entender, ou não entendem mesmo, que isso é uma disputa para administrar um Estado que não é do povo, um Estado que é inimigo do povo. É uma ilusão achar que Lula ou Dilma iria fazer algo, a não ser que radicalizem e soltem as mãos deste Estado burguês e apertem a mão do povo. Aí é preciso ter bastante coragem para poder largar as mordomias.

Brasil de Fato – Neste emaranhado, como sobrevive um cantor popular, uma artista do povo?

Zé Pinto – Artista popular tem que ralar, não pode achar que pode ficar vivendo de música. Muito difícil achar que um cantador, militante da causa do povo vai viver de música, e também nem tem que ter essa pretensão, não. Cantar porque cantar é um prazer, uma tarefa política de quem acredita nas coisas, de quem tem valores, que acha que tem que ajudar o povo a cultivar.

Brasil de Fato – Os artistas populares são unidos e convictos desta realidade pelo menos?

Zé Pinto – Artista é um bicho complicado e exigente. Tem um cantador amigo meu que se for dar entrevista ele arruma tanta exigência, ‘sim, mas vou ficar em pé aqui? Como é? Não dá pra gente sentar? Num dá pra fazer não sei o quê?’ Para fazer um negócio de cinco minutos, faz aquela confusão, e eu acho que isso é muito herança dessa ilusão que tem em cima dos artistas, esse personalismo, esse mal que causaram. Artista era coisa do povo mesmo, aí inventaram um tal de palco, o cara foi subindo no palco e um monte de gente lá em baixo. O ‘pessoazinho’ cá em cima acha que arte é uma coisa de iluminado, quando, na verdade, a arte está lá em baixo.

Brasil de Fato – Muitos artistas que antes cantavam no meio popular foram ‘conquistados’ pelas gravadoras. Você já recebeu algum convite? 

Zé Pinto – Tinha uma parceria muito forte com Marquinho Monteiro. Ele agora está em Teresina (PI). Em São Paulo (SP) uma vez, uma empresária lá cresceu os olhos sobre nós. Essa mulher estava levando nós para os caminhos dos porcos, até nos acompanhou nos assentamentos. Mas uma vez chegamos ao Pontal do Panapanema e ela deixou nós dentro do carro, dizendo ‘não saia, vocês dois fiquem aí’.

Imagina, a gente conhecia aquele povo todo dos assentamentos, vivíamos sempre naquelas festas e ela achava que a gente ia só na hora de dizer ‘agora com vocês Zé Pinto e Marquinho Monteiro’. Quando ela saiu olhamos um pra cara do outro e eu disse ‘Marquinho que diabo nós está fazendo aqui? Rapaz, você pensa bem, o povo cansado de ver nossa cara e nós lá naqueles barraco, comendo junto com aquele povo, tomando cachaça vamos ficar nessa onda parecendo dois bonequinho de cera?’ Na hora que a mulher viu que a gente tava misturado lá no meio do povo já começou a ficar meio nervosa. 

Aí, eu disse que nós não estávamos nessa não. Disse: Nosso negócio é outra coisa, porque se for pra gente ter que mudar nosso sonho, nossa cultura pra poder te acompanhar, não vai dar certo. Você faz parte de um projeto e nós de outro.

Brasil de Fato – E o seu último trabalho? Do que se trata? 

Zé Pinto – É um CD bem dançante com baiões, forró pé-de-serra, cantiga em homenagem a Gonzagão que está fazendo 100 anos, onde batizamos como Um Poema e Submisso. A primeira faixa é a minha filha caçula que faz a abertura, além de umas músicas que são mais ligadas ao momento da luta, do embate, das mobilizações que a gente pega mais pesado mesmo. Mas não dá pra ficar cantando só gritando reforma agrária e falando mal de pistoleiro, se não nem o povo não aguenta [risos].

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/11510

10/01/2013

OS VERDADEIROS ROSTOS DO TERRORISMO NA ÁFRICA


Quem libertará os africanos dos terroristas?
Komla Kpogli 

 
Não se preocupe África, iremos assim que terminarmos
 
Dizem-nos agora que o terrorismo ameaça a África e que em nome da luta contra o mesmo trava-se atualmente uma "guerra humanitária" no Mali. Examinemos o que é realmente o terrorismo sob os trópicos.

Após quatro séculos de razias negreiras transatlânticas e árabe-muçulmanas e mais de um século de colonização, as populações africanas entraram em luta pela sua libertação. 

Mas estas lutas foram curto-circuitadas e os seus condutores logo assassinados e substituídos por fantoches sanguinários cuja única missão é confirmar a manutenção do continente na órbita daqueles que investiram para privá-lo de todos os seus recursos – a começar pelos recursos humanos que, depois de terem servido nos campos de algodão, nas minas, nos estaleiros de obras longe da África, devem continuar a trabalhar para o seu bem-estar agora no próprio continente. Sob o controle de vigilantes vestidos com terno e gravata, tal como o mestre. 

A face perversa  do capitlistalismo expressa
 
Infelizes os povos governados por escravos selecionados e libertos para as necessidades da causa pelos mestres que os vestem à sua imagem, criando nestes "vigilantes" à ilusão de que se tornaram seus iguais.

O poder do terror que o mestre atribuiu a estes contramestres revela-se tão destruidor que certos africanos não vacilam em lamentar abertamente a substituição do colono de olhos azuis por aqueles que, pela cor da pele, pareciam serem seus irmãos.

"Nem tudo que reluz é ouro"
Juventude remetida ao exílio pelo Mediterrâneo onde, se não for abatida pelos tiros dos guarda-fronteiras do Frontex , é devorada por tubarões, predadores, avidez, desprezo para com as populações, violência incessante, destruição metódica de toda ideia voltada para o endógeno... Eis alguns dos métodos de governo dos sátrapas.

Aqui está um breve resumo do terrorismo de alguns dentre eles. O leitor nos desculpará não termos mencionado todos. É por falta de espaço e nenhuma outra razão. Assim, o leitor é convidado a completar a lista, mesmo a enumerar os crimes que não puderam ser mencionados aqui.

1. Gnassingbé 1º + Gnassingbé 2º: 50 anos no poder no Togo, pelo menos 50 mil mortos diretos por violências militares-policiais. Assassinato de Sylvanuys Olympio e a seguir o retorno do Togo ao regaço da França, pelo menos 100 mil togoleses mortos de diversas maneiras (crimes econômicos, manutenção do Franco CFS, cooperação suicida, ausência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental coletiva sabiamente mantida...). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.
 
2. Bongo 1º + Bongo 2º: 46 anos no poder no Gabão, pelo menos 20 mil mortos diretos, pelo menos um milhão de africanos no Gabão mortos de diversos modos (financiamento de partidos políticos na França, manutenção do Franco CFA, cooperação suicida, ausência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental coletiva sabiamente mantida...). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.
 
3. Paul Mvondo Biya : no poder nos Camarões há 31 anos, no mínimo 40 mil mortos diretos, pelo menos um milhão de africanos do território dos Camarões mortos de diversas maneiras (crimes econômicos, manutenção do Franco CFA, cooperação suicida, inexistência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental coletiva sabiamente mantida...). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

4. Blaise Compaoré: Assassino de Thomas Sankara , de Norbert Zongo e seus companheiros, no poder há 26 anos, pelo menos 15 mil mortos diretos, no mínimo um milhão de africanos do Burkina Faso mortos de diversas maneiras (crimes econômicos, manutenção do Franco CFA, cooperação suicida, inexistência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental coletiva sabiamente mantida...). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

5. Denis Sassou Nguesso (República do Congo): criminoso reincidente que totaliza 29 anos no poder, pelo menos 100 mil mortos diretos por violências militares e policiais, saqueadores profissionais de fundos públicos com a sua família e clientes, pelo menos um milhão de africanos mortos de diversas maneiras (crimes econômicos, manutenção do Franco CFA, cooperação suicida, inexistência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental coletiva sabiamente mantida...). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

6. Omar Guelleh: no poder no Djibuti há 14 anos, mesmos crimes que os terroristas antecedentes.

7. Idriss Deby: no poder no Tchad há 23 anos, mesmos crimes que os antecedentes.

8. Alassane Dramane Ouattara (Costa do Marfim): no poder há um ano, criminoso com o FMI onde dirigiu diretamente os Planos de Ajustamento Estruturais.

Chegou à presidência transportado nos carros de combate e bombardeio franceses, acompanhados de terroristas dirigidos por Guillaume Soro há 10 anos, pelo menos 30 mil mortos diretos, no mínimo 50 milhões de africanos mortos via FMI e Banco Mundial a quem Ouattara serviu + crimes econômicos, manutenção do Franco CFS, cooperação suicida, inexistência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental coletiva sabiamente mantida...). 

Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

Etc, etc. Todos estes terroristas se beneficiam do apoio logístico, intelectual e midiático da França, bem como de outros "Amigos da África" que não hesitam em combater diretamente nas suas costas contra os africanos que atualmente "salvam" no Mali do terrorismo que corta mãos e pés. Quem libertará os africanos dos terroristas?

Fonte:http://www.brasildefato.com.br/node/11817
1º/02/2013


HÁ 160 ANOS, NASCIA JOSÉ MARTÍ, O GRANDE MÁRTIR DA INDEPENDÊNCIA DE CUBA


Os ideais de Martí, junto com o marxismo-leninismo, guiam a política de Cuba até hoje.


 
José Martí - Foto: Reprodução
 
Na segunda-feira, 28 de janeiro de 2013, comemorou-se o 160º aniversário de nascimento do mentor intelectual dos revolucionários cubanos, José Julián Martí Pérez (Havana, Cuba, 28 de janeiro de 1853 – 19 de maio de 1895, Dos Rios, Cuba).

Filho de pai espanhol e mãe natural das Ilhas Canárias, José Martí é considerado o apóstolo e o grande mártir da Independência de Cuba em relação à Espanha. Além de poeta e pensador fecundo, desde sua mocidade demonstrou sua inquietude cívica e sua simpatia pelas ideias revolucionárias que gestavam entre os cubanos.

Influenciado pelas ideias de independência de Rafael Maria de Mendive, seu mestre na escola secundária de Havana, iniciou sua participação política escrevendo e distribuindo jornais com conteúdo separatista no início da Guerra dos Dez Anos. Com a prisão e deportação de seu mestre Mendive, cristalizou-se a atitude de rebeldia que Martí nutria contra a dominação espanhola.
 

Monumento em homenagem a José Martí, o grande mártir da Independência de Cuba

Em 1869, com apenas 16 anos, publicou uma folha impressa separatista, El Diablo Cojuelo, e o primeiro e único número da revista La Patria Libre. No mesmo ano passou a distribuir um periódico manuscrito intitulado El Siboney. Pouco depois foi preso e processado pelo governo espanhol por estar de posse de papéis considerados revolucionários. 

Foi condenado a seis anos de trabalhos forçados, mas passou somente seis meses na prisão até que, em 1871, com a saúde debilitada, sua família conseguiu um indulto e obteve a permuta da pena original pela deportação à Espanha. Na Espanha, Martí publicou, naquele mesmo ano, seu primeiro trabalho de importância: “El Presidio Político en Cuba”, no qual expõe as crueldades e os horrores vividos no período em que esteve na prisão em Cuba. 

Nesta obra já se encontrariam presentes o idealismo e o estilo vigoroso que tornariam Martí conhecido nos círculos intelectuais de sua época. Mais tarde dedicou-se ao estudo do Direito, obtendo o doutorado em Leis, Filosofia e Letras da Universidade de Zaragoza em 1874.

Em 19 de maio de 1895, no comando de um pequeno contingente de patriotas cubanos, após um encontro inesperado com tropas espanholas nas proximidades do vilarejo de Dos Ríos, José Martí foi atingido e faleceu em seguida. Seu corpo, mutilado pelos soldados espanhóis, foi exibido à população e posteriormente sepultado na cidade de Santiago de Cuba, em 27 de maio do mesmo ano.

Para Martí, a luta deveria ser uma verdadeira transformação cubana em todos os aspectos: econômico, político e social. Os ideais de Martí, junto com o marxismo-leninismo, guiam a política de Cuba até hoje.

1º/02/2013

NORTE ENERGIA DESCUMPRE MAIS UMA VEZ ACORDO COM ÍNDIOS E MPF PEDE MULTA MILIONÁRIA


Empresa não atendeu às reivindicações feitas pelos índios como condição para que desocupassem o canteiro de obras da usina de Belo Monte. Acordo foi firmado em 17 de outubro de 2012.
 MPF/PA
 

Reunião realizada na época da ocupação do canteiro de obras da usina,
em outubro de 2012 - Foto: Reprodução/Xingu Vivo
O Ministério Público Federal pediu à Justiça Federal que execute com urgência o acordo extrajudicial assinado pela Norte Energia S.A com os índios que ocuparam os canteiros de obras de Belo Monte.

Eles reivindicavam que a empresa cumprisse as condições socioambientais da licença da usina e aceitaram sair dos canteiros depois que a empresa assinou acordo, em 17 de outubro de 2012, durante audiência de conciliação ordenada pela Justiça.

A Norte Energia ganhou tempo para tomar uma série de medidas que já estavam atrasadas. Até dezembro de 2012, a Norte Energia deveria ter entregado sete unidades de proteção territorial nas áreas indígenas. Até novembro de 2012 deveria ter iniciado o programa de atividades produtivas, para gerar renda para as comunidades e recebido as lideranças indígenas em visitas aos canteiros de obras. Todos os prazos acabaram mais uma vez e pontos essenciais do acordo foram descumpridos.

O MPF pede que a Justiça em Altamira execute o acordo, o que significa obrigar a empresa a cumprir imediatamente o que foi acordado sob pena de multa. Os procuradores da República Thais Santi, Meliza Barbosa e Ubiratan Cazetta pediram que a empresa seja multada em R$ 2 milhões para cada dia de atraso no cumprimento das cláusulas do acordo. O descumprimento foi comunicado pelos próprios índios.

Por causa da obra de Belo Monte, as comunidades indígenas encontram-se sem alternativa de sobrevivência e ameaçadas por conflitos fundiários e crimes ambientais. Como os responsáveis pelo empreendimento não cumprem as condições da licença ambiental nem os acordos feitos com os índios, novos conflitos são iminentes.

“A atitude da empresa de descumprir o acordo firmado com os indígenas é um incentivo a novos conflitos e, certamente, dificultará qualquer nova negociação, o que poderá redundar em novo pedido tendente a legitimar o uso de violência contra indígenas, ribeirinhos e todos quanto pretendam protestar contra o descumprimento dos prazos e obrigações, em hipótese que, não gerida satisfatoriamente, poderá redundar em um conflito generalizado, tal é a insatisfação dos atingidos pela hidrelétrica”, dizem os procuradores que acompanham o caso.

“Não é demais recordar que o acordo que se executa nestes autos está sendo descumprido, mesmo após constatado que os indígenas efetivamente cumpriram a parte que lhes havia sido imposta, com a desocupação do canteiro, em mais um voto de confiança a uma empresa que, notoriamente, vem descumprindo suas obrigações de mitigação dos impactos da obra de Belo Monte”, diz o pedido do MPF.

O pedido de execução do acordo entre a Norte Energia e os índios deverá ser julgado pela Vara Federal de Altamira.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/11812
1º/02/2013