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segunda-feira, 20 de julho de 2020

POBRE, NEGRO, GAGO, EPILÉTICO: MACHADO DE ASSIS TEVE QUASE TUDO CONTRA SI



Autor de romances marcados na história da literatura brasileira completou 181 anos de nascimento no último domingo (21)
Cláudio Soares*


MACHADO DE ASSIS

Escritor e autor de obras como "Dom Casmurro", "Memórias póstumas de Brás Cubas", entre romances, peças, contos e poemas - Reprodução

  

Não era o triunfo acachapante que fascinava o escritor Joaquim Maria Machado de Assis. Cético até a espinha, o autor de "Dom Casmurro" soube exercitar como poucos “a arte das conveniências e das meias palavras”. Para muitos dos seus contemporâneos, Machado foi um homem estranho, singular, misterioso e perturbador. Sua figura retraída e tensa tinha alguma coisa de paradoxal, de desconcertante, de aparente contraste entre a pessoa e o artista. 
Como aquelas “pessoas que parecem nascer errado, em clima diverso ou contrário ao de que precisam” (a frase é do próprio autor, um grande frasista), pessoas que lhes sendo possível sair de um clima adverso para outro que lhes seja mais adequado, parece que foram restituídas a si próprias, ao seu próprio destino, Machado de Assis teve quase tudo contra si, em uma sociedade desigual e cruelmente injusta. 

“Negro, pobre, gago, epilético, ainda assim, o escritor conseguiu se transformar no nome de maior peso na literatura brasileira, sendo o mais completo e complexo dos nossos artistas.”

Talvez o único de nossa desgarrada literatura, a ter características de verdadeiro clássico universal. Ainda que seja praticamente impossível “extraí-lo” dos nossos antecedentes naturais. Filho dos trópicos, Machado se sentia aborrecido pelo excesso e pela opulência da nossa paisagem. Acabou por fixar o seu objeto de estudo na alma humana: má, infiel, mentirosa, canalha, de uma canalhice atroz, expressão autêntica da natureza humana.  
Machado de Assis foi um homem que, segundo Rui Barbosa (que também tinha o dom da palavra), “prosava como o Frei Luiz de Souza e cantava como Luiz de Camões”. Certamente, nenhum outro escritor brasileiro foi tão estudado e por ângulos tão diversos como esse carioca nascido no Morro do Livramento, na Gamboa, Zona Portuária da cidade do Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839.
Foi homem de muitos amigos, mas apenas no sentido da discreta amizade que lhes permitiu: sem dedicação ou intimidade maiores que a dos comentários “não polêmicos”. João Ribeiro, escritor e folclorista sergipano, membro da Academia Brasileira de Letras, acreditava que para Machado de Assis, “os amigos não passavam de necessidades de diálogo, alguma coisa melhor do que falar sozinho”. 
Vale registrar que Machado detestava os elogios (“insuportáveis”) de homens “derramados”. Ainda assim, não são poucos os relatos de quem o conheceu pessoalmente enfatizando a sua “quase inverossímil doçura social”, contrastando fortemente com um autor que, como poucos, soube manusear a pena da amargura e da dissimulação. 
A grande verdade é que o "bruxo" foi um analista impiedoso, “sádico” até, que soube expor cruelmente um niilismo central nas coisas humanas, além de cultivar cuidadosamente, na vida, formas amáveis e requintadas de sociabilidade, como a indulgência, a discrição e a cortesia.

“Soube ser graciosamente pessimista e triste. O entusiasmo, aliás, era para ele algo repugnante.”

Machado de Assis fez bem quase tudo que empreendeu em literatura. Soube, como o italiano Dante Alighieri, atravessar o seu inferno, com um ceticismo cáustico, “suportando com paciência, a dor do próximo” e, com estoicismo, a sua própria dor. Mas, pagou um preço caro por sua “serenidade” impositiva. 
Pela enfermidade e pelo pensamento, penetrou no mundo subterrâneo da alma humana, atravessando as sombras frias, encarando o desespero mudo, a solidão severa, a revolta sem ilusão. Soube extrair das páginas de sua própria vida e obra o sorriso melancólico, a tristeza patética e a dúvida pusilânime.
Sem raízes
O poeta Jorge de Lima, autor de Invenção de Orfeu (1952) lembrou em um artigo que quando Machado de Assis morreu, Joaquim Nabuco, seu amigo, escreveu uma reprimenda a José Veríssimo, famoso crítico literário da época: 
“Seu artigo no Jornal do Commercio está belo, mas esta frase causou-me arrepio: mulato. Eu pelo menos só vi em Machado de Assis, o grego. Não teria chamado Machado de mulato e penso que nada lhe doeria mais do que essa síntese. Rogo-lhe que tire isso, quando reduzir os artigos a páginas permanentes”. 
Para Nabuco, Machado era um cidadão “branco” em vida e “alvíssimo” depois de morto. Essa visão “esquizofrênica”, pode ter sido reforçada pelo próprio autor das Memórias Póstumas de forma conscientemente ou inconscientemente (mais difícil de acreditar). 
Enquanto pode, Machado evitou toda e qualquer tentativa de devassa de sua história familiar, inclusive a humildade de sua filiação, que poderiam, talvez, ter lhe proporcionado as melhores páginas da sua literatura. Não deixa de ser um incômodo, ainda, que Machado tenha escrito tão pouco sobre os negros. 
O seu passado, Machado de Assis matou no esquecimento. Pouco ou nada falou de Maria Leopoldina, sua mãe, nem de Francisco de Assis, seu pai, ou de sua irmã (morta precocemente, aos 4 anos de idade). Afastou-se por completo de Maria Inês da Silva, sua madrasta, que após a morte de Francisco, terminou de criá-lo. Machado se aristocratizou como um intelectual do seu tempo, um homem amargo, desencantado, fatigado, enjoado do seu século. 
Para Jorge de Lima, “o ambiente morno, a calmaria podre, o desinteresse pelo coletivo e pelo universal” que foram o “câncer” do tempo de Machado de Assis, não permitiram que a obra deste “homem excepcional” (uma expressão de José Veríssimo) fosse ainda maior. 
Por sua vez, João Ribeiro constatou em Machado de Assis uma insensibilidade “absoluta” pela dor humana, um egoísmo “sem limites”, uma “esquiva vivacidade” nas suas “inconstâncias de espírito”. Todos os heróis machadianos possuem uma “pequenez” de alma, temperada com “pequenas canalhices da desforra”.
Para o escritor José Lins do Rego, Machado foi um “escritor sem raízes” e jamais serviria de modelo se dele quiséssemos tirar um retrato do seu povo, mesmo que fosse da elite brasileira. Segundo Zé Lins, Machado foi um homem de imaginação, mas de uma imaginação aristocrática, sendo por isso, um homem à parte em nossas letras: “uma força viva e imaginativa, num país onde se procura descobrir imaginação na opulência verbal de José de Alencar”. 
O poeta carioca Ronald de Carvalho, ao contrário, considerava Machado um escritor sem transbordamentos de imaginação, sendo a sua riqueza “toda interior”, muito mais intensa que extensa, de um “colorido sóbrio e preciso”. Para a escritora Lúcia Miguel Pereira, a vida de Machado de Assis, toda processada sob o signo do espírito modesto, digno e desinteressado, completa a sua obra, fazendo do autor, além de um valor intelectual, um precioso valor moral. 
Alfredo Pujol, crítico literário, um dos primeiros a se dedicar ao estudo da obra de Machado de Assis, o chamou de: 
“alma recolhida e solitária, nutrida das suas tristezas íntimas, envolta em sombras da dúvida. Um poeta da vida interior, enclausurado no seu sonho, estranho à agitação que o rodeava.”

Há também aqueles (“homens derramados”) que lhe chamaram (ainda em vida) de “o chefe da literatura nacional” ou ainda de “clássico verdadeiro”, pela forma, pelo minucioso estudo da língua e pelo escrupuloso cuidado com que se apartava de tudo que lhe parecesse dissonância.
Nascido, há 181 anos, na cidade do Rio de Janeiro, de onde pouco se afastou por toda a vida, ali cresceu em condições precárias, como tantos e tantos brasileiros. Pobre, sem recursos, sem família, Machado de Assis foi um “self-made man”, formou-se por sua própria educação, com a mais vasta leitura, tudo pelo esforço próprio. Sua experiência de vida, certamente, o moldou. 
Não por acaso, o mesmo João Ribeiro (aqui, já citado), certa vez, ao concluir que “não há na nossa literatura, páginas mais profundamente imorais e perigosas que as de alguns contos de Machado de Assis”, o comparou, de forma “oblíqua e dissimulada”, ao poeta alemão Heinrich Heine (“o último dos românticos”). 
Assim, escreveu João Ribeiro: 
“Ludwig Boerne (escritor alemão) disse que Heine era como um ratinho que havia cavado galerias subterrâneas inumeráveis; acossado num ponto, ele escorregava por outro. Era impossível apanhá-lo. Só se a crítica fosse um gato, dizia Boerne. Mas, nesse caso, o sr. Heine é muito mais rato do que poderá ser gato a mais acelerada crítica”. Concluiria, então, Ribeiro: “Não sei que imagem se possa aplicar com mais adequada justeza a Machado de Assis, pelos sorvedouros que cava de subentendidos”.



*Escritor, jornalista e editor dos Clássicos Hiperliteratura
Edição: Rodrigo Durão Coelho e Eduardo Miranda
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) 26 de Junho de 2020.



COMO VIVEM OS MORADORES DE UMA DAS MAIORES FAVELAS DE PALAFITAS DO BRASIL

Localizada no Pará, a Vila da Barca sofre com falta de água potável, esgoto sanitário e condições dignas de vida.

Catarina Barbosa    Brasil de Fato | Belém (PA) | 19 de Julho de 2020


Criança que mora na Vila da Barca, em Belém, no Pará, pegando a sua pipa no meio do lixo que fica abaixo da sua casa. - Catarina Barbosa/Brasil de Fato

 "Isolamento?". O questionamento vem em tom de negação e poderia até soar como negligência, mas é apenas a realidade dos mais de 7 mil moradores da comunidade da Vila da Barca, uma das maiores favelas de palafitas do Brasil, localizada em Belém, capital do estado do Pará. Palafita é um tipo de habitação sustentada por estacas às margens de um rio ou qual outra área alagadiça.

A vila fica próxima a um dos bairros mais ricos da capital paraense, que conta com apartamentos que atingem o valor de mais de R$ 1 milhão.

 

Na Vila da Barca, a população vive cotidianamente com o lixo / Catarina Barbosa/Brasil de Fato.

A comunidade sofre com o descaso das autoridades públicas. Cenas inconcebíveis como crianças andando em meio ao lixo, falta de água nas torneiras, esgoto sanitário a céu aberto e ausência de energia elétrica fazem parte da rotina das pessoas.

:: Sem água, 10% dos brasileiros terão dificuldades na fase mais crítica da pandemia ::

O Brasil de Fato esteve na Vila da Barca e foi recebido pela líder da Associação de Moradores, Inez Medeiros. Ela denuncia o abandono a que estão submetidos os moradores do local e que o problema da falta de moradia digna se intensificou com a pandemia.

"A falta de água, a inexistência do esgotamento sanitário, (...) muitas casas não têm água na torneira e muitas vezes os moradores tentam sanar isso e não conseguem. Nesse

 

período de isolamento social, ficou ainda mais acentuado esse problema, visto que muitos precisam, pelo menos, do mínimo para se manter", afirma. 

A Vila da Barca faz parte de um projeto da Prefeitura de Belém que visa acabar com as palafitas e construir um conjunto habitacional com casas de alvenaria no local. Porém, a obra está parada há cerca de 15 anos, segundo Medeiros. Ela afirma ainda que ao abandono se somam outras questões para a comunidade, como a concentração de dependentes químicos e pessoas em situação de rua.

Para além das disparidades sociais gritantes entre pessoas que moram tão próximo, o local onde foram construídos os prédios está em área de preservação permanente e terrenos da Marinha, por lei, inalienáveis.

:: Condições precárias de moradia dificultam isolamento vertical nas periferias ::

Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) disse que as obras do projeto Vila da Barca estão em andamento. "Ele se divide em três etapas, onde já foram entregues 168 unidades habitacionais da Etapa I, 12 unidades da Etapa II e oito unidades da Etapa III, restando para serem executadas 78 unidades da Etapa II e 120 da Etapa III, que já possuem empresas contratadas e estão em andamento", afirma o órgão. 
 A equipe do 
Brasil de Fato
 visitou o local às 11h da última segunda-feira (13) e não constatou as obras em andamento.

 

A equipe do Brasil de Fato esteve no local na última segunda-feira (13) e não constatou trabalhadores na obra / Catarina Barbosa/Brasil de Fato

Saneamento e covid-19

Na última quarta-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro sancionou o novo marco legal do saneamento básico. A lei tem por objetivo ampliar a presença do setor privado na área. Atualmente, o saneamento é prestado, majoritariamente, por empresas públicas estaduais.

Apesar de parecer uma boa ideia, o Pará tem como exemplo a privatização da energia elétrica. A concessionária foi vendida em 1988 e, desde então, o aumento na conta paga pelo cidadão paraense chega a 500%. 

Segundo dados do último censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Pará tem mais de 8 milhões de habitantes.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), por sua vez, também realizada pelo IBGE, aponta que apenas 27,4% das casas da região Norte do Brasil possuem acesso à rede geral de esgotos. No Pará, esse número chega somente a 4,7% dos domicílios com esgotamento sanitário do tipo rede coletora de esgoto, que trata o material coletado.

 


Se hábitos básicos de higiene, como lavar as mãos com água limpa, contribuem para evitar o contágio, uma população privada de água de qualidade consequentemente estaria à mercê da doença.

Rosana dos Santos, de 24 anos, nasceu na Vila da Barca e vive na pele essa realidade. Ela mora em uma pequena casa de quatro cômodos onde mora com a mãe, o pai, três filhos, um sobrinho e mais um primo. 

Apesar da gravidade da pandemia, os problemas na comunidade são tantos que parece não haver espaço para se preocupar com um vírus letal. Questionada sobre o isolamento social ou as medidas de proteção, ela foi categórica em responder que não houve prevenção. 

Sua mãe, que é empregada doméstica, por sua vez, foi infectada pelo novo coronavírus, porque apesar de ser do grupo de risco, não foi liberada pela sua empregadora, que mora em Ananindeua, um município da Região Metropolitana de Belém, distante cerca de uma hora e meia de ônibus de onde ela mora.

"Ela passou bastante tempo 'arriada' e com muita dor. Às vezes ela nem encostava perto dos meninos. Eles ficavam dentro do quarto, mas, mesmo assim, ela ia trabalhar", disse. 

Curso popular formará, gratuitamente, agentes de saúde na prevenção do coronavírus ::

                     Comunidade da Vila da Barca em época de maré alta. / Lucas Weber/Arquivo

O Pará é atualmente um dos estados brasileiros com mais infectados e mortos pela covid-19. Segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), são quase 137 mil casos confirmados e mais de 5,4 mil, contabilizados até este domingo (19). 

Proteção que vem do rio

Para muitos povos, o rio é sagrado, pois representa fartura e abundância. Os moradores da Baía do Guajará, apesar de viveram com uma série de privações, também são gratos ao rio, porque na falta de água limpa é a baía que eles usam.

A presidenta da Associação, Inez Medeiros, detalha a contradição de que quanto mais perto do rio, maiores os problemas de abastecimento de água para os moradores.

"Engraçado, porque tem uma controvérsia aí, as pessoas que estão mais próximas do rio aqui na Vila da Barca são as que mais sofrem com a falta de água potável e, com isso, eles acabam tendo que buscar uma forma de conseguir essa água e como vai ser? Através do rio. E eles acabam tendo contato com a baía, que é contaminada, cheia de dejetos, porque como as casas das palafitas não têm esgotamento sanitário, então, todo os dejetos despejados pelas residências entram em contato com esse rio e, com isso, acumulam sujeira, coliformes fecais, todos esses problemas que até de maneira leiga conseguimos identificar que são sérios", diz ela.

:: A gente só vive porque a floresta está em pé, diz líder extrativista da Amazônia :: 

Moradora da comunidade há 10 anos, Tatiana Beltrão, de 29 anos, tem quatro filhos. Ela conta que as gestões municipais mudam, mas os problemas permanecem e a água é um dos mais difíceis de administrar.

Apesar de ter uma linda vista da Baía do Guajará e bomba d'água em casa, Tatiana sofre com o abastecimento de água potável e reconhece que nem todos têm condições de comprar uma bomba e que a solução acaba sendo puxar água de um cano com balde.

Desempregada, ela cuida da casa enquanto o marido, que é soldador, recebe como salário o necessário para que eles possam sobreviver.

Tatiana recebeu a equipe da reportagem do Brasil de Fato em sua casa de madeira e foi se desculpando pelo excesso de louça na pia. Isso porque, no dia anterior, a água não havia chegado na torneira. Quando isso ocorre, o jeito é usar a água da maré. Durante a pandemia essa foi, quase sempre, a solução encontrada. "A gente chega, lava a mão, mas guarda também a água da maré e aproveita para nos mantemos asseados", resume. 

Inez Medeiros, presidenta da Associação de Moradores da Vila da Barca, às margens da baia do Guajará. Ao fundo, casas de palafita / Catarina Barbosa/Brasil de Fato

Questionada se a água do rio faz mal para a sua família, ela diz que todos já se acostumaram. “Eles tomam banho constantemente com a água do rio, então, acabaram se adaptando. Eu falo que são anticorpos. Eles têm bastante anticorpos da água”, diz ela. 

Angélica Lopes, 44 anos, outra moradora da comunidade, também utiliza a água do rio para realizar as atividades do dia a dia.

Próximo à casa dela, há um cano por onde ela puxa a água através de um balde. Na entrada da casa, em uma espécie de pátio, uma máquina de lavar que não funciona mais e diversos baldes servem de recipiente para armazenar água limpa. 

Em dia de recorde mundial de contaminados, Brasil registra 28.796 novos casos

Angélica explica que há toda uma mecânica para poder usar a água da maré: é preciso esperar o rio encher para somente assim poder puxar a água.

"A dificuldade é essa, não dá água na torneira aqui, só se for com bomba, e quando não tem água e a maré está enchendo, a gente espera a maré encher para a gente poder pegar água para fazer as coisas, menos para lavar roupa e lavar louça”, explica.

O cuidado de esperar a maré encher ou vazar é necessário, porque quando a maré sobe, ela traz a água do rio, mas quando ela desce, ela leva todo tipo de lixo e dejetos humanos inviabilizando o seu uso pelos moradores.

Apesar de tanta dificuldade e privações de direitos, Angélica admite que não pensa em trocar seu lar na beira do rio. Ao lado dos seus recipientes cheios de água, usada para lavar louça, roupa e cozinhar, ela afirma que gostaria, apenas, que as autoridades reconhecessem que os moradores da Vila da Barca têm tanto direito quando quem mora em um apartamento de R$ 1 milhão.

 

Edição: Mauro Ramos e Vivian Fernandes

Brasil de Fato | Belém (PA) | 19 de Julho de 2020

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/

 

 

 

 


quarta-feira, 15 de julho de 2020

AS REVOLTAS POPULARES DA PÁTRIA AMADA BRASIL

FRAGMENTOS DO CORDEL: AS REVOLTAS POPULARES DA PÁTRIA AMADA BRASIL.
Luiz Cláudio & Rodrigues Neto.

Nestes versos trataremos
De mostrar realidades,
Com talentos, mostraremos
Tudo que tem falsidades,
Na escrita provaremos
A pureza das verdades.



Tenho sempre um argumento,
Defendendo a liberdade,
Há nele um conhecimento
Sobre justiça e verdade,
E com meu sentimento,
Vou falar com claridade!

terça-feira, 30 de junho de 2020

AS PANDEMIAS DO MUNDO

"QUERO  TE INFORMAR:
NESTE PLANETA JÁ TEVE,
MUITAS OUTRAS PANDEMIAS,
A CIÊNCIA SEMPRE ESTEVE,
CUMPRINDO SUA MISSÃO,
E O ANTÍDOTO SEMPRE OBTEVE."


FRAGMENTO DO CORDEL AS PANDEMIAS DO MUNDO DOS POETAS E PROFESSORES RODRIGUES NETO E LUIZ CLÁUDIO.